Fotografo: Revistagloborural
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foto meramente ilustrativa

Pelo menos 5 mil caminhões carregados principalmente com grãos da safra que está sendo colhida estão impedidos de passar de Mato Grosso para o Pará por conta dos bloqueios no lado paraense da rodovia BR-163. Grande parte desses veículos é de combinações bitrem, mas há também veículos carregados com outro produtos, como combustíveis. A informação é da 6ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF), sediada em Sorriso (MT), que presta apoio às operações na região.

Do lado mato-grossense da rodovia, há dois pontos de bloqueio. Um no município de Santa Helena e outro em Guarantã do Norte, na divisa com o Pará. A Superintendência do DNIT informou que a expectativa é liberar o primeiro ainda nesta quarta-feira. O segundo será liberado quando o movimento do lado paraense da rodovia também for liberado.

O chefe da 6ª Delegacia da PRF, inspetor Leonardo Leitão Ramos, explicou que, não há filas na rodovia. Os caminhões estão concentrados em três municípios: Peixoto de Azevedo, Matupá e na própria Guarantã do Norte. Os motoristas estão parados, principalmente, em pátios de postos de combustível aguardando a liberação dos bloqueios para retomar o tráfego rumo ao norte.

“Nossa recomendação é de que os motoristas permaneçam em locais onde há disponibilidade de recursos e acesso à comunicação até que o tráfego seja liberado. Os motoristas devem ficar atentos às recomendações dos órgãos oficiais”, explicou o inspetor Ramos.

Segundo ele, a passagem pela divisa interestadual só está sendo liberada para veículos com destino a localidades como Castelo de Sonhos e Serra Dourada, que estão antes do local danificado da BR-163 no Pará. Esses veículos passam por triagem feita pelos policiais da 6ª Delegacia da PRF.

O principal ponto de problema da BR-163 está entre Novo Progresso e Moraes Almeida, onde um trecho sem asfalta da rodovia está intransitável por conta dos danos causados por fortes chuvas na região. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) bloqueou a movimentação na rodovia até esta sexta-feira (8/3), para quando espera terminar o reparo emergencial.

“Os trechos foram degradados pelas intensas chuvas e pelo aumento elevado do número de carretas, necessitando de bloqueio para recuperação das condições da trafegabilidade da via que saindo do Mato Grosso tem destino aos portos de Miritituba/PA”, diz o DNIT, em nota, nesta quarta-feira (6/3).

O trabalho de reparo está sendo feito em conjunto pelo próprio DNIT e o Exército. Segundo o Departamento, material pétreo está sendo produzido 24 horas por dia para garantir volume suficiente para reparar a estrada até o dia marcado para a liberação do tráfego sentido norte.

No comunicado, o DNIT informa ainda que foi feita uma vistoria técnica de 12 horas no trecho degradado da BR-163. E, baseado em informações do 8º Batalhão de Engenharia e Construção do Exército (8º BEC), acrescentou que a operação está sendo feita em dois pontos: na região da Serra da Santinha e na encosta norte da Serra da Anita.

“Na próxima sexta-feira, 8 de março, os trechos críticos da BR-163/PA estarão recuperados e o trânsito voltará a fluir. Pela manhã, será feita a liberação dos caminhões descarregados que retornam de Miritituba/PA para o MT. Após o fim da fila norte, o tráfego será reiniciado pelos veículos que aguardam na direção contrária, ainda carregados, com destino aos portos”, diz o DNIT.

Enquanto o tráfego não é retomado, caminhoneiros parados estão recebendo assistência médica, refeições e água, de acordo com os órgãos do governo federal. Nesta quarta-feira (6/3), o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, foi até o local acompanhar in loco a situação.

ARCO NORTE

A BR-163 é a principal via de escoamento da produção agrícola da região norte de Mato Grosso com destino aos portos do norte do país. Com os problemas, o transporte fica impedido e, a depender do tempo que levar para a carga chegar nos terminais, haverá cobrança de demourage, a multa por conta do atraso no embarque dos navios nos portos.

“Não se esperava tanta chuva. Se não fosse isso, o movimento seria normal. Não imaginávamos tanto problema assim”, lamenta Edeon Vaz Ferreita, diretor-executivo do Movimento Pró-Logística de Mato Grosso, que reúne entidades do setor produtivo no Estado.

Solucionado o problema das condições de tráfego, acrescenta o diretor do movimento pró-logística, leva em torno de 24 horas para retomar o fluxo de caminhões pela estrada. E, quanto menor o volume de chuvas, mas rapidamente esse trânsito tende a se normalizar.

“Foi feito um comunicado aos embarcadores e eles estão segurando os carregamentos. A soja de Mato Grosso está praticamente toda colhida. O que ainda não escoou, está nos armazéns”, diz ele.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) espera concluir o asfaltamento da BR-163 até o final deste ano. Construída há mais de 40 anos, a rodovia coleciona um histórico de problemas de tráfego, seja pelo mau tempo, seja pelo grande volume de carretas que levam os grãos do Centro-oeste para o norte.

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja Brasil) ainda não tem um levantamento ou mesmo uma estimativa de eventuais perdas para os produtores rurais. Mas reconhece que há o risco de quebra de contratos de entrega de grãos, o que pode acarretar prejuízos.

“Poderá afetar. Não temos os dados ainda, mas sabemos que poderá acontecer, porque não tem o que fazer agora”, lamenta o presidente da entidade, Bartolomeu Braz Pereira.

Pereira avalia que a situação de hoje reflete uma falta de planejamento que vem de vários anos e diversos governos e reforça a necessidade de uma solução para a BR-163. Ele lembra do compromisso da administração atual, que assumiu em janeiro, de terminar a pavimentação da rodovia neste ano.

“Precisa ser resolvido. É possível e estamos com essas expectativa de que será resolvida essa situação do arco norte”, diz ele.